Neste novo episódio de Portugal à Vista, mergulhamos profundamente nas raízes da identidade artesanal portuguesa com o episódio intitulado A Arte do Barro Vermelho com José Alves Santos | Portugal à Vista S07E08. Localizada na pacata localidade de Termoceira, na freguesia de Pedreiras, a Olaria José Alves Santos não é apenas uma oficina de cerâmica; é um santuário de saber ancestral onde o tempo parece obedecer ao ritmo do pedal da roda de oleiro. José Alves Santos, o protagonista desta viagem, é o último guardião de uma tradição que corre no sangue da sua família há várias gerações, desde os seus trisavós.
A narrativa conduz o espetador pela história viva da Termoceira, um lugar onde o barro e as suas gentes se fundem de forma indissociável. José partilha connosco a sua jornada pessoal, iniciada precocemente aos 11 anos de idade. Num relato emocionante, recorda como a necessidade de ajudar o seu pai, Graciano Santos, na produção intensiva de púcaros para a resina, o prendeu definitivamente à bancada de oleiro. Entre seis rapazes e três raparigas da sua fratria, apenas José e um irmão herdaram a vocação de moldar a terra, mas hoje, José permanece como o único produtor efetivo a trabalhar na roda na região de Porto de Mós.
O episódio explora detalhadamente o processo técnico e emocional de "puxar o barro". O público terá a oportunidade de ver como uma massa bruta de barro vermelho, extraída dos pinhais locais, se transforma sob as mãos sábias do Mestre José em objetos de uma elegância rústica e utilitária. O mestre explica a evolução dos materiais, desde o barro puro de antigamente, que tinha de ser amassado a pés ou com a ajuda de animais e limpo manualmente de todas as impurezas calcárias, até às misturas modernas processadas por máquinas. No entanto, apesar da mecanização de certos processos, a essência do seu trabalho permanece puramente manual. Como o próprio afirma, "não há peças iguais", cada objeto que sai da sua roda é uma obra de arte única, impossível de replicar exatamente.
Um dos momentos altos do episódio foca-se na diversidade da produção da Olaria José Alves Santos. Recordamos os brinquedos de antigamente, como os techinhos e algideirinhos que faziam as delícias das crianças, e descobrimos peças emblemáticas como a "Caneca Templária". Sobre esta última, José partilha uma anedota impressionante: o seu recorde pessoal de fabricar 700 canecas num único dia de trabalho exaustivo. É esta dedicação férrea que mantém a olaria viva, exportando o nome de Portugal e da Termoceira para mercados internacionais exigentes nos Estados Unidos, Canadá, Bélgica e França.
Contudo, o episódio também aborda a fragilidade desta herança. José Alves Santos reflete com uma honestidade tocante sobre a falta de sucessores. Numa era dominada pelos ecrãs e por empregos "limpos", a arte de sujar as mãos com o barro está em risco de desaparecer. O mestre confessa que, embora os jovens mostrem curiosidade inicial, poucos têm a força de vontade necessária para dominar uma técnica que leva anos a aperfeiçoar. Portugal à Vista capta assim não apenas o brilho da criação, mas também o apelo à preservação de um património que define quem somos.
Prepare-se para uma viagem visual e sensorial única, onde o som da roda e a textura da terra contam a história de um homem que recusa deixar apagar a chama da tradição. Assista a este episódio de Portugal à Vista na CamoesTV+ e deixe-se envolver pela paixão e pelo legado da Olaria José Alves Santos, um mestre cujo coração bate ao ritmo do barro.
In this new episode of Portugal à Vista, we dive deep into the roots of Portuguese artisanal identity with the episode titled A Arte do Barro Vermelho com José Alves Santos | Portugal à Vista S07E08. Located in the quiet village of Termoceira, in the parish of Pedreiras, the Olaria José Alves Santos is not just a ceramic workshop; it is a sanctuary of ancestral knowledge where time seems to obey the rhythm of the potter's wheel pedal. José Alves Santos, the protagonist of this journey, is the last guardian of a tradition that has run through his family's blood for several generations, dating back to his great-great-grandparents.
The narrative leads the viewer through the living history of Termoceira, a place where the clay and its people are inseparably fused. José shares with us his personal journey, which began prematurely at the age of 11. In a moving account, he recalls how the need to help his father, Graciano Santos, in the intensive production of resin cups, permanently bound him to the potter's bench. Among six boys and three girls in his family, only José and one brother inherited the vocation of shaping the earth, but today, José remains the only effective producer working on the wheel in the Porto de Mós region.
The episode explores in detail the technical and emotional process of "pulling the clay." The audience will have the opportunity to see how a raw mass of red clay, extracted from local pine forests, is transformed under the wise hands of Master José into objects of rustic and utilitarian elegance. The master explains the evolution of materials, from the pure clay of the past, which had to be kneaded by foot or with the help of animals and manually cleaned of all limestone impurities, to modern mixtures processed by machines. However, despite the mechanization of certain processes, the essence of his work remains purely manual. As he himself states, "there are no identical pieces"; every object that leaves his wheel is a unique work of art, impossible to replicate exactly.
One of the highlights of the episode focuses on the diversity of production at Olaria José Alves Santos. We recall the toys of yesteryear, such as the small pots and bowls that delighted children, and discover emblematic pieces like the "Templar Mug." Regarding the latter, José shares an impressive anecdote: his personal record of making 700 mugs in a single day of exhaustive work. It is this ironclad dedication that keeps the pottery alive, exporting the name of Portugal and Termoceira to demanding international markets in the United States, Canada, Belgium, and France.
However, the episode also addresses the fragility of this heritage. José Alves Santos reflects with touching honesty on the lack of successors. In an era dominated by screens and "clean" jobs, the art of getting one's hands dirty with clay is at risk of disappearing. The master confesses that although young people show initial curiosity, few have the willpower required to master a technique that takes years to perfect. Portugal à Vista thus captures not only the brilliance of creation but also the plea for the preservation of a heritage that defines who we are.
Prepare for a unique visual and sensory journey, where the sound of the wheel and the texture of the earth tell the story of a man who refuses to let the flame of tradition go out. Watch this episode of Portugal à Vista on CamoesTV+ and let yourself be enveloped by the passion and legacy of Olaria José Alves Santos, a master whose heart beats to the rhythm of the clay.
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