Neste episódio imperdível de It's Showtime, recebemos um dos artistas mais singulares e autênticos da cena musical contemporânea em Portugal: João Morais, amplamente reconhecido pelo seu projeto artístico O Gajo. Ao longo desta conversa profunda, mergulhamos num universo onde a tradição e a modernidade não apenas coexistem, mas fundem-se para criar uma nova narrativa cultural. O foco central desta viagem sonora é a Viola Campaniça, um instrumento de dez cordas com raízes profundas no Alentejo, que João Morais resgatou do passado para transformar na espinha dorsal de uma sonoridade inovadora e disruptiva.
João Morais começa por desmistificar a sua identidade artística. A escolha do nome O Gajo não foi por acaso; reflete a sua essência informal, a sua aversão a etiquetas rígidas e o desejo de comunicar com o público de forma direta, "olhos nos olhos". Com uma carreira sólida de trinta anos ligada ao rock e ao punk rock, João traz consigo uma atitude de resistência e autenticidade que agora canaliza através de instrumentos tradicionais. Ele explica como a transição das guitarras elétricas para a Viola Campaniça foi uma descoberta transformadora, permitindo-lhe encontrar uma "geografia" musical que define a sua identidade como artista português.
O grande destaque deste episódio é a apresentação do seu mais recente álbum, Trovoada. João Morais descreve este trabalho como uma resposta artística aos tempos conturbados que vivemos. O título não é apenas metafórico; para o músico, a "trovoada" simboliza o som da guerra, a instabilidade social e a incerteza política que dominam as notícias diárias. Neste disco, O Gajo decide dar um passo audacioso ao introduzir a voz e a palavra nas suas composições, que até aqui eram maioritariamente instrumentais. Ele defende que, no clima atual do mundo, a música instrumental já não era suficiente para expressar a clareza das suas convicções. Inspirado por vultos como José Afonso e José Mário Branco, João utiliza a palavra como uma arma de intervenção, transformando cada canção num veículo de reflexão crítica sobre as extremas-direitas, o populismo e a necessidade de empatia humana.
Acompanhado por um quinteto de músicos excecionais, o som de O Gajo em Trovoada expande-se para incluir instrumentos como o adufe, a sanfona, a gaita de foles e o cavaquinho. É uma celebração da nossa ancestralidade, mas com os olhos postos no futuro. João sublinha que não pretende repetir a história da música tradicional, mas sim construí-la hoje, utilizando essas ferramentas antigas para criar atmosferas sonoras que ele descreve como "tempestivas" e cheias de energia rock.
A conversa aborda ainda os desafios de ser um artista independente em Portugal e a importância de seguir o coração, mesmo quando o caminho é financeiramente incerto. Com o décimo aniversário do projeto à porta em 2026, João Morais revela os seus planos para o futuro, que incluem concertos de celebração e o desenvolvimento de novas sonoridades que continuem a levar os instrumentos portugueses a lugares onde nunca estiveram. Este episódio de It's Showtime é mais do que uma entrevista musical; é um manifesto sobre a importância das raízes, a força da cultura portuguesa e a necessidade de questionarmos o mundo através da arte. Convidamos todos os espectadores da CamoesTV+ a deixarem-se levar por esta "Trovoada" de talento e a descobrirem por que razão O Gajo é uma voz fundamental na música nacional.
In this unmissable episode of It's Showtime, we welcome one of the most unique and authentic artists on the contemporary Portuguese music scene: João Morais, widely recognized for his artistic project O Gajo. Throughout this profound conversation, we dive into a universe where tradition and modernity do not just coexist but merge to create a new cultural narrative. The central focus of this sonic journey is the Viola Campaniça, a ten-string instrument with deep roots in the Alentejo region, which João Morais rescued from the past to transform into the backbone of an innovative and disruptive sound.
João Morais begins by demystifying his artistic identity. The choice of the name O Gajo (The Guy) was no accident; it reflects his informal essence, his aversion to rigid labels, and his desire to communicate with the audience in a direct, "eye-to-eye" manner. With a solid thirty-year career linked to rock and punk rock, João brings with him an attitude of resistance and authenticity that he now channels through traditional instruments. He explains how the transition from electric guitars to the Viola Campaniça was a transformative discovery, allowing him to find a musical "geography" that defines his identity as a Portuguese artist.
The major highlight of this episode is the presentation of his latest album, Trovoada (Thunder). João Morais describes this work as an artistic response to the troubled times we are living in. The title is not just metaphorical; for the musician, "thunder" symbolizes the sound of war, social instability, and the political uncertainty that dominates daily news. In this record, O Gajo decides to take a bold step by introducing his voice and lyrics into his compositions, which until now were mostly instrumental. He argues that, in the world's current climate, instrumental music was no longer enough to express the clarity of his convictions. Inspired by figures like José Afonso and José Mário Branco, João uses the word as a weapon of intervention, turning each song into a vehicle for critical reflection on far-right movements, populism, and the need for human empathy.
Accompanied by a quintet of exceptional musicians, the sound of O Gajo in Trovoada expands to include instruments such as the adufe (square drum), the hurdy-gurdy, bagpipes, and the cavaquinho. It is a celebration of our ancestry, but with eyes set on the future. João emphasizes that he does not intend to repeat the history of traditional music, but rather to build it today, using these ancient tools to create sonic atmospheres that he describes as "tempestuous" and filled with rock energy.
The conversation also touches on the challenges of being an independent artist in Portugal and the importance of following one's heart, even when the path is financially uncertain. With the project’s tenth anniversary approaching in 2026, João Morais reveals his plans for the future, which include celebration concerts and the development of new sounds that continue to take Portuguese instruments to places they have never been before. This episode of It's Showtime is more than just a musical interview; it is a manifesto on the importance of roots, the strength of Portuguese culture, and the need to question the world through art. We invite all CamoesTV+ viewers to let themselves be carried away by this "Trovoada" of talent and discover why O Gajo is a fundamental voice in national music.
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