O episódio "A Arte e a Vida de Rui Pimenta" de "Mais do que uma conversa" leva-nos numa jornada inspiradora pela vida e obra de um dos mais influentes curadores da diáspora portuguesa no Canadá. Nascido em Lisboa e criado em Toronto, Rui Pimenta não se encaixa nos estereótipos, tendo construído uma carreira notável fora dos caminhos convencionais. Esta conversa íntima com Francisco Pegado desvenda o homem por detrás de inúmeros projetos artísticos que transformaram a paisagem cultural de Toronto, tornando a arte acessível a todos.
A jornada de Rui começou de forma inesperada. Com uma formação em filosofia e humanidades, ele nunca se imaginou no mundo das artes visuais. O seu "amor à primeira vista" pela arte surgiu aos 30 anos, durante uma atividade com os primos, um momento que mudou radicalmente o rumo da sua vida. No entanto, o seu percurso não foi isento de desafios. Rui partilha as preocupações iniciais dos seus pais, emigrantes que, como muitos, viam as artes como uma carreira instável, preferindo a segurança de uma profissão como a de professor, que era o seu plano original. A sua história ressoa com a experiência de muitos filhos de emigrantes, que lutam para conciliar as expectativas familiares com as suas paixões.
A paixão de Rui pela arte levou-o a uma transição de artista para curador, um papel que ele abraçou por ser mais colaborativo e social. Ele descreve a vida de artista como solitária, enquanto a curadoria lhe permite conectar-se com outros criativos, uma característica que se alinha com a sua personalidade. O seu trabalho culminou na fundação da Artspin, uma organização notável que tem como missão levar a arte para espaços não convencionais e públicos, quebrando as barreiras das galerias e museus tradicionais. Rui relata com orgulho o festival In Future no Ontario Place, um projeto monumental que transformou um local histórico num epicentro de arte e música. Ele também discute a sua experiência como co-curador do famoso festival Nuit Blanche em 2019, revelando os bastidores de um dos eventos mais icónicos de Toronto e como este o inspirou a reimaginar a interação entre arte e cidade.
A conversa é pontuada por reflexões profundas sobre o valor da arte e o seu papel na sociedade. Rui expressa uma visão crítica sobre a reputação de Toronto como uma "cidade de arte", argumentando que, apesar de ser um centro cosmopolita, não apoia suficientemente os artistas. Ele contrasta esta realidade com a Europa, onde sente que a arte é mais valorizada e compreendida a nível cultural. Este episódio também explora o poder da arte para iluminar os momentos mais sombrios, uma lição que se tornou particularmente evidente durante a pandemia de COVID-19, quando a criatividade se reinventou para chegar às pessoas através de ecrãs e meios digitais.
Em "Mais do que uma conversa", Rui Pimenta abre o seu coração, partilhando o que o faz feliz e o seu profundo apreço pelos amigos e família. Ouve-o a responder a perguntas pessoais sobre felicidade, a sua definição de amor e a quem faria três chamadas no fim da sua vida. Esta conversa é um testemunho da resiliência, da paixão e da importância de seguir o nosso próprio caminho, independentemente das expectativas. É um convite para que a audiência reflita sobre a sua própria relação com a arte e o mundo que a rodeia, e para que apoie a comunidade artística com o coração e, como Rui menciona, com a carteira.
The episode "A Arte e a Vida de Rui Pimenta" ("The Art and Life of Rui Pimenta") from "Mais do que uma conversa" ("More than a conversation") takes us on an inspiring journey through the life and work of one of the most influential Portuguese diaspora curators in Canada. Born in Lisbon and raised in Toronto, Rui Pimenta defies stereotypes, having built a remarkable career by stepping off the conventional path. This intimate conversation with host Francisco Pegado unveils the man behind the countless artistic projects that have transformed Toronto's cultural landscape, making art accessible to everyone.
Rui's journey began quite unexpectedly. With a background in philosophy and humanities, he never imagined himself in the world of visual arts. His "love at first sight" for art happened at age 30 during an activity with his cousins, a moment that radically changed the course of his life. However, his path was not without its challenges. Rui shares the initial concerns of his immigrant parents, who, like many, viewed the arts as an unstable career, preferring the security of a profession like teaching, which was his original plan. His story resonates with the experience of many children of immigrants who struggle to reconcile family expectations with their personal passions.
Rui's passion for art led him to transition from being an artist to a curator, a role he embraced for its more collaborative and social nature. He describes the artist's life as solitary, whereas curation allows him to connect with other creatives, a trait that aligns with his personality. His work culminated in the founding of Artspin, a notable organization whose mission is to bring art to unconventional and public spaces, breaking down the barriers of traditional galleries and museums. Rui proudly recounts the In Future festival at Ontario Place, a monumental project that transformed a historic venue into an epicenter of art and music. He also discusses his experience as a co-curator for the famous Nuit Blanche festival in 2019, revealing the behind-the-scenes stories of one of Toronto's most iconic events and how it inspired him to reimagine the relationship between art and the city.
The conversation is punctuated by profound reflections on the value of art and its role in society. Rui expresses a critical view of Toronto's reputation as a "city of art," arguing that despite being a cosmopolitan hub, it does not adequately support its artists. He contrasts this reality with Europe, where he feels art is more valued and culturally understood. This episode also explores art's power to provide light during the darkest times, a lesson that became particularly evident during the COVID-19 pandemic when creativity reinvented itself to reach people through screens and digital media.
In "Mais do que uma conversa," Rui Pimenta opens his heart, sharing what makes him happy and his deep appreciation for friends and family. Listen as he answers personal questions about happiness, his definition of love, and whom he would call in his final moments. This conversation is a testament to resilience, passion, and the importance of following your own path regardless of expectations. It's an invitation for the audience to reflect on their own relationship with art and the world around them, and to support the artistic community with their hearts and, as Rui puts it, with their wallets.
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