No coração de Aboim, entre a memória da terra e o som da água, ergue-se o Museu do Moinho e do Povo de Aboim, um espaço que preserva saberes antigos e conta a história de uma comunidade profundamente ligada ao rio, à agricultura e ao trabalho coletivo. Neste episódio de Portugal à Vista, viajamos até ao concelho de Fafe, no Minho, para descobrir como uma pequena aldeia transformou o seu património num testemunho vivo de identidade e resistência cultural. Aqui, cada pedra, cada ferramenta e cada objeto do quotidiano revela modos de vida transmitidos de geração em geração, convidando o espectador a mergulhar numa realidade rural autêntica e cheia de significado.
O ponto de partida desta história é o moinho de vento de Aboim, outrora essencial à subsistência local e hoje o único do concelho de Fafe. Reconstruído em 2007, o moinho foi devolvido à aldeia de forma idêntica ao que era, num trabalho minucioso que contou com a pesquisa e as memórias dos próprios habitantes. Foi a partir desta reconstrução que nasceu o Museu do Moinho e do Povo de Aboim. O então presidente da junta olhou para o moinho recuperado e para a escola desativada e percebeu que ali havia uma oportunidade única: criar um museu dedicado às tradições e a tudo aquilo que Aboim tem para mostrar. No interior, uma miniatura e imagens do antes e do depois revelam de onde se partiu e onde se chegou.
A visita é conduzida por Sofia, que nos recebe com a simpatia e o orgulho de quem conhece cada recanto desta terra. A primeira paragem é a croça, a capa de palha que os pastores usavam para se protegerem do frio e da chuva, muito antes dos casacos impermeáveis de hoje. A sua origem é tão engenhosa quanto simples: os pastores repararam que os telhados cobertos de palha protegiam bem as casas e decidiram aplicar a mesma ideia ao próprio corpo. Não é por acaso que o feitio da croça lembra exatamente um telhado, numa bela lição sobre a sabedoria popular e a capacidade de adaptação das gentes do campo.
Sofia fala-nos também da emigração, uma realidade que sempre marcou Fafe e da qual Aboim não é exceção. Se antigamente se partia para o Brasil, hoje os jovens escolhem sobretudo a França e a Suíça, destinos mais próximos que permitem manter uma ligação forte à família e à terra natal. Um mapa exposto no museu recorda outra curiosidade histórica: antes de pertencer ao concelho de Fafe, Aboim já fez parte de Vieira do Minho e de Cabeceiras de Basto, uma forma de lembrar aquilo que a aldeia já foi e aquilo que é hoje.
Para quem gosta de caminhar, o episódio apresenta os dois percursos pedestres da aldeia. O PR7, Caminho de São João da Ramalheira, leva os visitantes até à capela com o mesmo nome, enquanto o PR3, Descoberta de Aboim, atravessa os vários lugares da freguesia, como Barbeita e Figueiró, revelando paisagens verdadeiramente encantadoras.
A agricultura ocupa um lugar central no museu. O centeio e o milho continuam a ser cultivados em Aboim por uma razão deliciosa: a broa tradicional é feita com metade de farinha de centeio e metade de farinha de milho. A palha destes cereais tinha ainda muitas outras utilidades, servindo para cobrir os telhados, encher os colchões, fazer as croças e alimentar os animais. Ao lado, a charrua, também conhecida por arado, recorda os tempos em que os campos eram lavrados sem tratores, numa época em que se vivia da terra, como em todas as aldeias.
O museu dá ainda a conhecer ofícios que marcaram a economia local. O carvão continua a ter um carvoeiro em atividade, apesar de ser uma arte que se está a perder. A moagem da casca de carvalho foi, durante muito tempo, uma importante fonte de rendimento: segundo Sofia, Aboim está inserida na maior mancha de carvalhos da Europa, e a casca era moída e vendida às fábricas de curtumes de Guimarães. Já a lã dava origem a meias feitas à mão, vendidas nas festas e romarias da região.
No final, Sofia deixa um convite caloroso para que todos venham visitar Aboim, conhecer o museu e apreciar as suas lindas paisagens. Veja agora o episódio Descubra as Tradições do Museu do Moinho e do Povo de Aboim, em exclusivo na CamoesTV+, e deixe-se encantar por mais uma viagem de Portugal à Vista pelo património, pela cultura e pelas gentes de Portugal.
In the heart of Aboim, between the memory of the land and the sound of water, stands the Museu do Moinho e do Povo de Aboim. The museum preserves age-old knowledge and tells the story of a community deeply tied to the river, to farming and to collective work. In this episode of Portugal à Vista, we travel to the municipality of Fafe, in Portugal’s Minho region, to see how a small village has turned its heritage into a living symbol of identity and cultural resilience. Every stone, every tool and every everyday object here shows a way of life handed down from generation to generation. Viewers are invited into an authentic and deeply meaningful rural world.
The story begins with Aboim’s windmill, once essential to local survival and today the only windmill in the municipality of Fafe. It was rebuilt in 2007 exactly as it had been, in careful work that drew on the research and memories of the villagers themselves. That reconstruction gave rise to the Museu do Moinho e do Povo de Aboim. The parish council president at the time looked at the restored windmill and at the village’s empty school and saw a unique opportunity: a museum devoted to local traditions and to everything Aboim has to offer. Inside, a miniature model and before-and-after images show how far the village has come.
The visit is led by Sofia, who welcomes us with the warmth and pride of someone who knows every corner of this land. The first stop is the croça, a straw cape that shepherds wore to protect themselves from cold and rain, long before today’s waterproof jackets. Its origin is as clever as it is simple. Shepherds noticed that straw-thatched roofs kept their homes well protected, so they applied the same idea to their own bodies. It’s no coincidence that the croça looks just like a roof. It’s a fine example of folk wisdom and of how resourceful country people have always been.
Sofia also talks about emigration, which has always shaped Fafe, and Aboim is no exception. Where people once left for Brazil, young people today mostly choose France and Switzerland. These destinations are closer, so they can stay strongly connected to their families and their homeland. A map on display in the museum points to another historical detail: before it became part of Fafe, Aboim belonged to Vieira do Minho and then to Cabeceiras de Basto. The map is a reminder of what the village once was and what it is today.
For walkers, the episode introduces the village’s two hiking trails. The PR7, Caminho de São João da Ramalheira, leads to the chapel of the same name. The PR3, Descoberta de Aboim, winds through the parish’s hamlets, including Barbeita and Figueiró, and opens onto truly enchanting landscapes.
Agriculture takes centre stage in the museum. Rye and corn are still grown in Aboim for a delicious reason: the traditional broa bread is made with half rye flour and half corn flour. The straw from these crops had many other uses too. It covered roofs, filled mattresses, was woven into croças and fed the animals. Nearby, the charrua, also known as the arado, recalls the days before tractors, when fields were ploughed by hand and every village lived from the land.
The museum also brings back trades that shaped the local economy. Charcoal making survives through one charcoal maker still at work, although the craft is slowly fading. Grinding oak bark was an important source of income for many years. According to Sofia, Aboim lies within the largest oak forest in Europe, and the bark was ground and sold to the leather tanneries of Guimarães. Wool, meanwhile, was turned into handmade socks sold at the region’s festivals and romarias.
At the end, Sofia warmly invites everyone to visit Aboim, explore the museum and enjoy its beautiful landscapes. Watch Descubra as Tradições do Museu do Moinho e do Povo de Aboim now, exclusively on CamoesTV+. Let Portugal à Vista take you on another journey through the heritage, culture and people of Portugal.
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