Joaquim Pires
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11m
Neste episódio de Portugal à Vista, S07E27, intitulado "Joaquim Pires: A Arte que Renasce do Mar | Portugal à Vista", somos transportados para a pitoresca localidade de Darque, em Viana do Castelo, onde a história de vida de um homem se confunde com a própria memória das correntes do Atlântico. Joaquim Pires, figura central desta narrativa, dedicou mais de quatro décadas à dureza do mar, enfrentando tempestades e as exigências físicas da vida de pescador. Contudo, é na sua reforma que descobrimos uma transformação profunda: o homem das redes tornou-se um mestre da escultura improvisada, provando que a criatividade não tem idade nem limites.
A trajetória de Joaquim Pires é uma lição de resiliência e adaptação. Ao longo do episódio, o artista abre as portas do seu ateliê, um espaço onde o conceito de desperdício é inexistente. Onde muitos veem lixo, Joaquim vê potencial. Paus tortos, pedras, antenas de televisão abandonadas, panelas velhas e tachos desgastados são meticulosamente recolhidos e transformados em peças únicas. Este processo criativo é orgânico e intuitivo; Joaquim não desenha projetos nem recorre a planos complexos. É o seu martelo, guiado por décadas de disciplina aprendida no mar, que dita a forma de cada chapa e a estrutura de cada escultura.
O episódio explora a dualidade entre o passado nas embarcações e o presente entre ferramentas e sucata. Joaquim Pires partilha como a paciência necessária para suportar meses em alto mar se traduz agora numa dedicação quase obsessiva à sua arte. Ele fala abertamente sobre a sua necessidade de criar, descrevendo como a sua mente não descansa, projetando novas formas e personagens mesmo quando a noite cai. Esta inquietação criativa resultou numa obra vasta, já reconhecida em exposições e lojas de prestígio no Porto e em Espanha, elevando o seu trabalho popular a um patamar de admiração genuína.
O lado emocional deste episódio é palpável, especialmente quando Joaquim descreve a reação da sua família e da comunidade de Darque. O que começou como um "entretenho" solitário para passar o tempo é hoje uma fonte de orgulho regional. A forma como ele utiliza a luz e componentes reciclados, como peças de máquinas de lavar, para criar o que ele chama de forma bem-humorada de "o inferno", demonstra uma inteligência artística que brota da simplicidade. O espectador é levado a refletir sobre a transição de um trabalhador do mar para um contador de histórias através do ferro e da madeira, celebrando a dignidade do trabalho manual.
Joaquim Pires recorda momentos marcantes, como a sua primeira exposição no Porto, onde a reação do público o deixou visivelmente emocionado, com a alegria de ver o seu esforço reconhecido. Apesar das dificuldades, como a falta de condições ideais no seu ateliê para proteger as obras da chuva, o seu espírito permanece inabalável. Ele fala sobre o seu futuro: a vontade de continuar a criar, a exploração de novos materiais e o desejo de passar o seu conhecimento às gerações mais novas, mesmo que prefira manter o foco na sua produção pessoal. Este episódio não é apenas uma biografia; é um tributo à capacidade humana de se reinventar, de encontrar propósito após a reforma e de transformar a experiência de uma vida inteira em arte que fala ao coração de quem a vê. Em Portugal à Vista, honramos este mestre de Viana, cujo trabalho é a prova de que a vida, tal como uma peça de metal, pode ser sempre moldada novamente.
In this episode of Portugal à Vista, S07E27, titled "Joaquim Pires: A Arte que Renasce do Mar | Portugal à Vista", we are transported to the picturesque town of Darque, in Viana do Castelo, where the life story of a man merges with the very memory of the Atlantic currents. Joaquim Pires, the central figure of this narrative, dedicated over four decades to the harshness of the sea, facing storms and the physical demands of a fisherman's life. However, it is in his retirement that we discover a profound transformation: the man of the fishing nets has become a master of improvised sculpture, proving that creativity has no age or limits.
The journey of Joaquim Pires is a lesson in resilience and adaptation. Throughout the episode, the artist opens the doors of his studio, a space where the concept of waste is non-existent. Where many see trash, Joaquim sees potential. Crooked sticks, stones, abandoned television antennas, old pots, and worn-out pans are meticulously collected and transformed into unique pieces. This creative process is organic and intuitive; Joaquim does not draw blueprints or rely on complex plans. It is his hammer, guided by decades of discipline learned at sea, that dictates the shape of each metal sheet and the structure of each sculpture.
The episode explores the duality between his past on the vessels and his present among tools and scrap metal. Joaquim Pires shares how the patience required to endure months at sea now translates into an almost obsessive dedication to his art. He speaks openly about his need to create, describing how his mind never rests, projecting new shapes and characters even when night falls. This creative restlessness has resulted in a vast body of work, already recognized in exhibitions and prestigious shops in Porto and Spain, elevating his folk art to a level of genuine admiration.
The emotional side of this episode is palpable, especially when Joaquim describes the reaction of his family and the community of Darque. What began as a solitary "pastime" to pass the time is today a source of regional pride. The way he uses light and recycled components, such as parts of washing machines, to create what he humorously calls "the hell," demonstrates an artistic intelligence that springs from simplicity. The viewer is led to reflect on the transition of a sea worker into a storyteller through iron and wood, celebrating the dignity of manual labor.
Joaquim Pires recalls remarkable moments, such as his first exhibition in Porto, where the audience's reaction left him visibly moved, filled with the joy of seeing his effort recognized. Despite the hardships, such as the lack of ideal conditions in his studio to protect his works from the rain, his spirit remains unshakable. He speaks about his future: the will to continue creating, the exploration of new materials, and the desire to pass on his knowledge to younger generations, even if he prefers to keep his focus on his personal production. This episode is not just a biography; it is a tribute to the human capacity to reinvent oneself, to find purpose after retirement, and to transform a lifetime of experience into art that speaks to the hearts of those who see it. In Portugal à Vista, we honor this master from Viana, whose work is proof that life, like a piece of metal, can always be shaped anew.
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